Bigu - A Purificação dos Três Cadáveres

 

No sistema Jiulong Kunlun esta prática é fundamental e não é para iniciantes, é necessário ter passado por várias iniciações para se praticar de forma segura e eficiente sem agredir o corpo.

 

Na atualidade essa prática é mais conhecida como "viver de luz", respiratorianismo, "nutrição solar", etc, e muitas pessoas ficam curiosas acerca de como é possível sobreviver sem comer ou beber água. No entanto, dentro das tradições taoistas, a prática da não alimentação é muito comum e obrigatória em muitos sistemas.

 

Quando entramos em estado de Bigu, o corpo pode se desintoxicar e colocar os "canais de energia" no caminho correto. O estômago e os intestinos integram o grande processador de energia do corpo, mas normalmente estão muito ocupados com a digestão de alimentos para poder exercer a sua função energética mais sutil.

 

Quase tudo ao nosso redor está associado a alimentação: encontros, passeios, visitas, negócios, costumamos também desde cedo utilizar a alimentação como forma de amenizar a nossa ansiedade, descarregamos nossas frustrações e nosso cansaço no ato de comer. Quando retiramos esse apoio, as emoções que eram veladas pela alimentação vêm à tona com muita força: medo, raiva, solidão, angústia, apego, frustração, sensação de abandono, etc; essas emoções são muito poderosas, e com um bom direcionamento podem ser refinadas e transformadas num tesouro espiritual.

 

Os três cadáveres são purificados durante a prática do Bigu além do medo da morte (e das mudanças), o apego e fixação em ideias e dogmas fechados de verdades absolutas, e da transferência emocional que fazemos ás coisas, criando ilusões que não são naturais (como por exemplo o desejo de que uma pessoa seja diferente do que ela é e cobrar isso dela). Os cadáveres são:

 

  • Cadáver de Jing - As doenças físicas - elas são causadas pela falta de nutrição adequada e nos momentos corretos

 

  • Cadáver de Qi - As doenças emocionais causadas pelo apego, orgulho, miséria e frustração (angústia), entre outras coisas

 

  • Cadáver de Shen - Ideias fixas e obsessivas, incapacidade de observar outras verdades, conflitos com as crenças e fuga da espiritualidade

 

Muitas pessoas nos perguntam como fazemos para sobreviver sem água e sem comida nos processos de Bigu, a resposta é simples: a vida na Terra só existe por causa dos ciclos do Sol e da Lua, quando bebemos água ou nos alimentamos, apenas estamos captando essa energia de forma indireta e no estágio inicial do Bigu essa captação passa a ser feita de forma direta, apesar de que num primeiro momento Bigu tem mais um caráter de prática espiritual para purificação, e deve ser feito com água nos primeiros anos.

 

O bigu possui muitas fases de realização e a própria prática do sistema Jiulong Kunlun conduz ao bigu: inicialmente passamos a não nos darmos mais bem com alho, cebola e cebolinha, depois o corpo passa a rejeitar carnes, depois a rejeitar vegetais frescos e frutas, depois a rejeitar grãos e vegetais cozidos, e por fim, passa a rejeitar água, esse processo leva algumas décadas, mas é um processo passivo, diferente do processo em que Jejuamos praticando o Bigu.

 

Além da prática "natural do bigu" nós também temos as práticas de Jejum por um tempo determinado, onde nos nutrimos de energia do Sol e da Lua num primeiro nível, depois não é mais necessário e os níveis de Bigu vão se aprofundando cada vez mais.

 

A grande dificuldade do Bigu não é ficar sem comer coisas físicas, mas sim se livrar das ilusões e do desejo dos sabores e das sensações falsas do mundo manifesto, e nenhum prazer mundano se compara ás sensações de estar de novo brilhando a luz original.

 

Em Kunlun, Bigu prepara para práticas mais avançadas e é uma forma de refinar fortemente a nossa percepção da vida.